
Relatório – Filme: Crioulo Doido, direção de Carlos Prates.
A palavra que escolho para sintetizar Criolo Doido é ironia. É ironia do início, meio e fim e é esta que torna o filme de Leon singular.
O que mais chama atenção no filme de Prates é a capacidade de abordar temas relativos à sociedade brasileira: o racismo, o papel da mulher, discriminação social, a importância e valorização da cultura e paisagens brasileiras. O protagonista do filme Crioulo Doido assume a figura do anti-herói: ingênuo, patético e ridicularizado, características estas das personagens cômicas, no qual Aristóteles define como seres inferiores1, no entanto, as personagens de Prates ganham um caráter diferenciado ao assumirem uma classe, são vetores no qual direcionam para as mazelas da sociedade, o crioulo sendo o representante de toda classe negra discriminada pelo racismo. As personagens tornam-se tipos e universais. O protagonista, cuja graça é Felisberto Ladeira, nome sugestivo aqueles que conhecem os anseios da personagem, tenta de várias formas se afirmar e mostrar sua importância, ele quer ser notado pelos outros, necessita de atenção e elogios.
Através de um texto cheio de piadas, Prates consegue transmitir neste filme um humor sarcástico, um deboche inteligente sobre a sociedade brasileira. O filme se torna um veículo de reflexão sobre os determinados temas, exigindo um espectador ativo, pensante, critico.
Podemos também analisar a personagem principal do filme, como uma metáfora da própria situação do cinema brasileiro, uma figura marginalizada, sinônimo de ridicularização, zombaria e subordinado.
Florianópolis, 9 de março de 2009
¹ Poética, Aristóteles.
